Brasília registra a maior inflação do país em junho e amplia déficit fiscal
Índice do IBGE mostra alta de 0,52% na capital, puxada por transportes e combustíveis, enquanto DF acumula rombo de R$ 1,9 bilhão nos primeiros meses do ano

O Distrito Federal encerrou o mês de junho de 2026 com a maior taxa de inflação entre as capitais monitoradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento, o índice de preços em Brasília subiu 0,52% no mês, mais que o triplo da taxa nacional, que ficou em 0,16%. O principal vetor de alta foi o grupo de transportes, impulsionado pelo reajuste de 1,74% no preço da gasolina e pela elevação expressiva das passagens aéreas, item historicamente sensível na capital federal em razão do intenso fluxo de servidores públicos, parlamentares e executivos que viajam com frequência entre Brasília e as demais regiões do país.
O resultado acende um alerta para o custo de vida na capital, que já figura entre as mais caras do Brasil para moradia, alimentação fora do domicílio e serviços. Economistas locais apontam que o peso do setor público na economia do DF, somado à concentração de renda em determinadas regiões administrativas, contribui para uma dinâmica de preços menos sensível a políticas de contenção do que em outras capitais com estrutura econômica mais diversificada.
O cenário inflacionário se soma a um quadro fiscal já delicado. Em reunião na Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da Câmara Legislativa do DF (CEOF/CLDF), realizada ainda no fim de maio, mas com desdobramentos que se estenderam por todo o mês de junho, o secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, apresentou números que mostram um déficit de aproximadamente R$ 1,9 bilhão acumulado nos quatro primeiros meses de 2026. O rombo fiscal levou o governo distrital a anunciar, em 22 de junho, um pacote de medidas de gestão fiscal com foco em eficiência administrativa, revisão de despesas, inteligência fiscal e ajustes na execução orçamentária, buscando reequilibrar as contas ainda no primeiro semestre.
Outro dado que preocupa analistas do setor financeiro é o nível de inadimplência no Distrito Federal, apontado como muito acima da média nacional segundo reportagem publicada no blog Capital S/A, do Correio Braziliense. O fenômeno é atribuído por especialistas consultados a uma combinação de fatores: o encarecimento do crédito no cenário de juros ainda elevados, o comprometimento de renda das famílias com aluguel e financiamento imobiliário — setor aquecido em Brasília nos últimos anos — e a sensibilidade do consumo local aos preços de bens essenciais, que subiram acima da média nacional.
Apesar do cenário desafiador, o Brasil como um todo seguiu em trajetória de crescimento no período, o que reforça a percepção, discutida em reportagem do Jornal Correio, de um descompasso entre o desempenho da economia nacional e a realidade fiscal e inflacionária vivida pela capital federal. Para o economista e consultor de finanças públicas ouvido pela reportagem, Marcos Vinícius Tannuri, "Brasília enfrenta uma peculiaridade estrutural: sua economia é fortemente dependente do funcionalismo público e de serviços especializados, o que a torna menos elástica em períodos de choque de preços, e mais vulnerável quando há aperto fiscal no governo local".
O Governo do Distrito Federal sinalizou que espera reverter parte do déficit já no segundo semestre, com a entrada de receitas atreladas a programas de regularização fiscal e à retomada de investimentos em infraestrutura, mas técnicos da Secretaria de Economia reconhecem que o cenário de inflação elevada e juros altos deve continuar pressionando o orçamento distrital pelo menos até o fim de 2026.
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