Fiocruz alerta para alta contínua de casos de síndrome respiratória grave em todo o país

Boletim InfoGripe mostra quase todos os estados em nível de alerta ou risco, enquanto Ministério da Saúde reforça vacinação contra sarampo após novos casos

Por Camila Nogueira Prado· 10 de junho de 2026· 6 min de leitura
Fiocruz alerta para alta contínua de casos de síndrome respiratória grave em todo o país

Foto: RDNE Stock project / Pexels

O mês de junho de 2026 trouxe um duplo alerta sanitário para o Brasil: a manutenção do avanço de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em praticamente todo o território nacional e a reemergência de casos de sarampo, doença que o país já havia declarado eliminada em anos anteriores. O Boletim InfoGripe, produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e divulgado em 25 de junho, referente à semana epidemiológica encerrada em 27 de junho, mostrou que todas as unidades da Federação, com exceção de Rondônia, Piauí e Pernambuco, registravam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas duas semanas anteriores.

Segundo a reportagem do jornal O Globo, publicada no mesmo dia da divulgação do boletim, as internações por gripe e pelo vírus sincicial respiratório (VSR) seguiram em trajetória de alta na maior parte do país, fenômeno associado à chegada do inverno no Hemisfério Sul e à circulação simultânea de múltiplos vírus respiratórios. Pesquisadores da Fiocruz reforçaram a recomendação de vacinação contra influenza para grupos de risco, especialmente crianças pequenas, idosos e gestantes, além de medidas básicas de prevenção como uso de máscara em ambientes fechados e lavagem frequente das mãos, num contexto em que hospitais de diversas regiões relataram aumento na demanda por leitos de enfermaria e UTI voltados a quadros respiratórios.

O cenário se soma a outra preocupação sanitária que ganhou destaque em junho: o retorno de casos de sarampo em algumas regiões do país. Em 29 de junho, o Ministério da Saúde anunciou o reforço na recomendação de vacinação contra a doença para bebês entre 6 e 11 meses e 29 dias, faixa etária que normalmente recebe a primeira dose apenas aos 12 meses, mas que passou a ser contemplada pela antecipação da imunização em áreas com surtos confirmados. A medida, direcionada inicialmente a municípios com casos identificados, busca conter a circulação do vírus antes que se espalhe para outras localidades, incluindo o Distrito Federal, que mantém monitoramento reforçado nas unidades básicas de saúde.

O retorno do sarampo, doença considerada eliminada no Brasil desde 2016 e que voltou a circular no país em surtos pontuais nos últimos anos, é atribuído por especialistas a quedas nas taxas de cobertura vacinal observadas desde a pandemia de Covid-19. Segundo dados do próprio Ministério da Saúde, a cobertura vacinal infantil no país segue abaixo da meta ideal de 95% para diversas vacinas do calendário nacional, o que cria bolsões de suscetibilidade e favorece a reintrodução de doenças anteriormente controladas.

No campo do mercado de saúde suplementar, o mês também trouxe movimentações relevantes, segundo levantamento do portal Futuro da Saúde. A operadora SulAmérica anunciou a criação de uma nova vice-presidência voltada à experiência do cliente, reforçando uma tendência do setor de investir em atendimento personalizado e digitalização de serviços, num momento em que as operadoras de planos de saúde enfrentam pressão de custos assistenciais crescentes, atrelados justamente ao aumento na demanda por atendimentos respiratórios característicos do período de inverno.

Para autoridades sanitárias, a combinação entre alta de doenças respiratórias sazonais e o retorno de doenças imunopreveníveis reforça a necessidade de campanhas de vacinação mais robustas no segundo semestre de 2026, especialmente voltadas ao público infantil, considerado o mais vulnerável a complicações graves em ambos os quadros.

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