Brasil aciona OMC contra novo tarifaço de Trump em meio à corrida eleitoral de 2026
Itamaraty classifica sobretaxas de até 37,5% como arbitrárias, enquanto reforma tributária e depoimento de Flávio Bolsonaro à PF agitam a campanha

Brasil aciona OMC contra novo tarifaço de Trump em meio à corrida eleitoral de 2026
O governo brasileiro entrou, em 28 de julho, com pedido de consulta no órgão de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o novo pacote de tarifas anunciado pelos Estados Unidos. O Itamaraty classificou as sobretaxas — que chegam a 37,5% sobre determinados produtos brasileiros — como "arbitrárias e incompatíveis com as regras do comércio internacional". A medida representa uma escalada na disputa comercial entre os dois países, que já dura meses e afeta setores como siderurgia, agronegócio e manufaturados.
A resposta brasileira ocorre em plena pré-campanha para as eleições de outubro, com Lula já declarado candidato à reeleição. Aliados do presidente veem no episódio uma oportunidade de reforçar o discurso de defesa da soberania nacional diante do que classificam como pressão externa. Adversários, por sua vez, acusam o governo de usar o tema para desviar atenção de problemas internos, como a inflação de alimentos e o desemprego em algumas regiões metropolitanas.
Reforma tributária sob fogo cruzado
Enquanto o litígio comercial ganha as manchetes internacionais, a reforma tributária também virou alvo de disputa política interna. Técnicos ouvidos pela imprensa especializada afirmam que a reforma precisa de defesa mais ativa do governo, já que pré-candidatos do PL e do PSD passaram a defender publicamente o adiamento da implementação ou a revisão de condições das novas regras do sistema de impostos. O economista Bernard Appy, um dos formuladores da reforma, tem alertado que o risco de desidratação das mudanças cresce à medida que o debate eleitoral se intensifica.
A reforma, que institui o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) em substituição a tributos como ICMS e ISS, está em fase de regulamentação e testes-piloto em diversos estados. Setores empresariais reclamam de insegurança jurídica diante das sinalizações de mudança de rota vindas de candidatos da oposição.
Convenções partidárias e tensão diplomática
O mês também foi marcado por atrito diplomático após a participação do presidente argentino Javier Milei na convenção do PL que oficializou a pré-candidatura de um senador ligado ao bolsonarismo. A campanha de Lula pediu à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) que investigue as condições da presença de Milei no evento, alegando possível ingerência estrangeira em processo eleitoral brasileiro. O caso deve ser analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas próximas semanas.
Em paralelo, o senador Flávio Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Federal nesta terça-feira (28), em investigação por suposta calúnia contra o presidente Lula. A apuração foi aberta a pedido do Ministério da Justiça após um comentário do senador nas redes sociais sobre a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em que ele associou o episódio ao fim do chamado "foro de São Paulo" e insinuou que Lula seria delatado. Flávio nega qualquer intenção difamatória e classifica a investigação como perseguição política.
Cenário para os próximos meses
Com eleições marcadas para outubro, analistas políticos ouvidos pela reportagem avaliam que os próximos meses serão marcados pela intensificação de disputas em múltiplas frentes: comercial, tributária e judicial. A combinação entre pressão externa dos EUA e polarização interna deve moldar boa parte da agenda do Palácio do Planalto e do Congresso até o pleito.
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