Exportações de milho e soja à China puxam balança comercial do agro em fevereiro

Compras chinesas seguem fortes mesmo com tensões comerciais globais

Por Marcos Feitosa· 05 de fevereiro de 2025· 8 min de leitura
Exportações de milho e soja à China puxam balança comercial do agro em fevereiro

Foto: Wolfgang Weiser / Pexels

Compras chinesas seguem fortes

As exportações brasileiras de soja e milho para a China mantiveram ritmo elevado em fevereiro, mês que tradicionalmente marca o início do escoamento mais intenso da nova safra brasileira. Segundo dados de comércio exterior, o país asiático seguiu como o principal destino dos grãos nacionais, respondendo pela maior fatia das vendas externas de soja em grão.

A relação comercial entre Brasil e China ganhou novo fôlego em meio às tensões tarifárias entre Pequim e Washington, que voltaram a colocar produtores brasileiros em posição vantajosa frente aos concorrentes norte-americanos. Trading companies relataram aumento na contratação de navios com destino a portos chineses, especialmente a partir dos terminais do Arco Norte, que ganharam participação na exportação de grãos nos últimos anos.

Além da soja, o milho brasileiro também ampliou presença no mercado chinês, resultado de acordos fitossanitários firmados nos anos anteriores que abriram o mercado asiático ao cereal nacional. Analistas do setor apontam que a diversificação de compradores — incluindo também países do Sudeste Asiático e do Oriente Médio — tem sido uma resposta do agronegócio brasileiro à volatilidade política do comércio internacional.

Efeitos no câmbio e na renda do produtor

O fluxo intenso de exportações contribuiu para a entrada de dólares no país, com efeitos sobre o câmbio e sobre a formação de preços internos dos grãos. Produtores que mantinham parte da safra estocada aproveitaram o período para negociar lotes, especialmente diante da expectativa de nova safra recorde, o que tende a pressionar preços mais adiante no ano.

Representantes de associações do agronegócio destacaram a importância da estabilidade na relação comercial com a China, principal parceiro do setor há mais de uma década, e defenderam a ampliação de acordos sanitários para outras culturas, como carne suína e algodão, como forma de reduzir a dependência de poucos mercados compradores.

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