Google lança Gemini 2.5 e retoma a liderança em benchmarks

Modelo 'raciocinante' supera DeepSeek, Grok e ChatGPT em testes de referência, segundo a empresa

Por Bruno Salgueiro Matias· 05 de março de 2025· 6 min de leitura
Google lança Gemini 2.5 e retoma a liderança em benchmarks

Foto: Christina Morillo / Pexels

Um lançamento numa terça-feira comum

Diferentemente de eventos grandiosos do passado, o Google optou por anunciar o Gemini 2.5 Pro Experimental em uma terça-feira qualquer, sem cerimônia especial — postura que a própria empresa descreveu depois como sintoma da "era Gemini", na qual modelos de fronteira são lançados com a mesma naturalidade de atualizações incrementais. A companhia disse estar tão disposta a lançar seu modelo mais avançado num dia comum quanto a anunciar inovações pontuais, como o sistema de pesquisa científica AlphaEvolve, revelado poucas semanas depois.

Raciocínio como padrão, não exceção

O Gemini 2.5 chegou com a capacidade de "pensar" antes de responder já incorporada por padrão — um recurso até então oferecido como opção separada (como nos modelos "o" da OpenAI) e que, a partir de março de 2025, se tornou expectativa mínima do mercado. Segundo o Google, o modelo superou concorrentes como DeepSeek R1, Grok 3 e o GPT-4.5 da OpenAI em benchmarks de matemática, ciência e programação, embora comparações independentes de laboratórios de pesquisa tenham mostrado resultados mais equilibrados a depender da tarefa avaliada.

Disponibilidade e limitações

O acesso inicial ficou restrito a assinantes do Google One AI Premium e a desenvolvedores por meio do AI Studio e da Vertex AI, reforçando a estratégia do Google de usar seus modelos mais avançados como diferencial para assinaturas pagas, à semelhança do que a OpenAI já fazia com o ChatGPT Pro. A ampliação gradual de acesso ao longo dos meses seguintes seguiria o mesmo padrão observado em lançamentos anteriores da empresa.

O efeito cascata no mercado brasileiro

Empresas de tecnologia brasileiras que já haviam integrado modelos de IA a seus produtos passaram a testar o Gemini 2.5 como alternativa ou complemento aos modelos da OpenAI e da Anthropic, especialmente em tarefas que exigiam análise de grandes volumes de texto — a janela de contexto ampliada do modelo, capaz de processar centenas de milhares de tokens de uma só vez, foi citada como diferencial competitivo por desenvolvedores locais.

Uma corrida sem trégua

O lançamento de março reforçou um padrão que se consolidaria ao longo do ano: nenhuma empresa manteria a liderança em benchmarks por mais de algumas semanas antes de ser superada por um concorrente. Para usuários finais, o efeito prático foi uma melhora perceptível e contínua na qualidade das respostas dos assistentes de IA — mas também uma crescente dificuldade de acompanhar qual ferramenta, de fato, era a "melhor" em determinado momento, já que a resposta mudava a cada poucas semanas.

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