Busca vira agente: as apostas do Google I/O 2025

Conferência anual da empresa trouxe IA generativa embutida na busca, tradução em tempo real e vídeos cinematográficos

Por Thiago Wenceslau Prado· 05 de maio de 2025· 7 min de leitura
Busca vira agente: as apostas do Google I/O 2025

Foto: Christina Morillo / Pexels

A Busca deixa de ser só uma lista de links

Em 20 de maio de 2025, o Google realizou seu evento anual para desenvolvedores, o I/O, com foco declarado em transformar a Busca — seu produto mais icônico e lucrativo — numa experiência conversacional. O novo "AI Mode" permite que usuários façam perguntas complexas, de múltiplas etapas, e recebam respostas sintetizadas por IA em vez da tradicional lista de resultados azuis. A empresa expandiu também os "AI Overviews", resumos gerados por IA no topo da página de resultados, lançados no ano anterior e que, segundo o Google, já haviam mudado profundamente o comportamento de busca de bilhões de usuários.

Tradução simultânea e chamadas em 3D

Entre as novidades práticas, destacou-se a tradução em tempo real dentro do Google Meet, capaz de manter o tom e a cadência da voz original do interlocutor enquanto traduz para outro idioma — recurso pensado para reuniões internacionais e, no caso brasileiro, para empresas com operações em múltiplos países da América Latina. A empresa também apresentou uma tecnologia experimental de chamadas de vídeo em três dimensões, batizada de Google Beam.

Veo e a geração de vídeo cinematográfico

O Google atualizou seu modelo de geração de vídeo, o Veo, com controles mais refinados de câmera, iluminação e estilo — concorrendo diretamente com o Sora, da OpenAI, lançado meses antes. A demonstração incluiu cenas com qualidade visual comparável a produções profissionais, ainda que limitada a clipes curtos.

AlphaEvolve: ciência como vitrine

Semanas antes do evento principal, o Google já havia despertado atenção da comunidade científica ao apresentar o AlphaEvolve, sistema construído sobre o Gemini capaz de descobrir novos algoritmos matemáticos — incluindo uma melhoria inédita em um problema de multiplicação de matrizes que resistia a avanços havia décadas. O caso foi citado repetidamente durante o I/O como prova de que a IA já produzia conhecimento científico original, não apenas reorganizava informação existente.

Assinaturas como modelo de negócio

Assim como rivais, o Google reservou parte dos recursos mais avançados — incluindo o Gemini 2.5 Deep Think, versão de raciocínio estendido — para assinantes do plano "Ultra" do Google One, lançado durante o próprio evento por valor elevado em dólares. A decisão sinalizou que 2025 seria também o ano em que as grandes empresas de tecnologia testariam com mais agressividade a disposição dos usuários a pagar por acesso a modelos de ponta, em vez de depender apenas de publicidade.

Repercussão no Brasil

Desenvolvedores brasileiros que acompanharam o evento via transmissão online destacaram a expansão do Project Mariner, agente capaz de navegar e executar tarefas em sites por conta própria, como a inovação mais aguardada para automatizar processos de back-office em empresas locais — ainda que a disponibilidade completa dessas ferramentas no Brasil, incluindo suporte em português, seguisse com cronograma mais lento que o dos Estados Unidos.

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