Governo anuncia Plano Safra 2026/2027 com R$ 525,1 bilhões em meio a pressão por juros menores

Setor produtivo pede mais recursos subsidiados após dois anos de custos elevados de produção

Por Lívia Duarte· 05 de junho de 2026· 7 min de leitura
Governo anuncia Plano Safra 2026/2027 com R$ 525,1 bilhões em meio a pressão por juros menores

Foto: Paulo Rená da Silva Santarém / Wikimedia Commons

Valor investido na política pública
R$ 525.100.000.000

Novo recorde de crédito

O governo federal anunciou, em junho, o Plano Safra 2026/2027, com R$ 525,1 bilhões em crédito rural disponibilizados a produtores de todos os portes, novo recorde histórico que superou o ciclo anterior. O anúncio, feito por autoridades do Ministério da Agricultura e Pecuária, veio acompanhado de discurso de fortalecimento do produtor rural, mas também de reconhecimento de que o volume ficou abaixo do que entidades do setor haviam pedido ao governo.

Representantes da agricultura empresarial argumentaram que o aumento no volume total de recursos não acompanhou, na mesma proporção, a expansão da produção agrícola brasileira nos últimos anos, o que tende a manter parte significativa do crédito rural sujeita a taxas de mercado, mais sensíveis à política monetária. Já a agricultura familiar comemorou a manutenção de condições diferenciadas de juros, mantendo o Pronaf como principal instrumento de acesso a crédito para pequenos produtores.

Pressão por juros menores

O anúncio ocorreu em meio a dois anos seguidos de custos de produção elevados, especialmente com insumos importados e mão de obra, o que levou entidades como a CNA a insistir na necessidade de ampliação das linhas subsidiadas. O debate sobre o tamanho do chamado "custeio pecuário" e sobre as regras de equalização de juros, mecanismo pelo qual o governo compensa bancos pela diferença entre a taxa cobrada do produtor e a taxa de mercado, voltou a ganhar espaço nas discussões do setor.

Apesar das críticas, o novo Plano Safra manteve linhas específicas para armazenagem, tecnologia e recuperação de pastagens degradadas, sinalizando continuidade da estratégia de estímulo a ganhos de produtividade por área já consolidada nos ciclos anteriores. Para o setor, o desafio seguinte será equilibrar o volume recorde de crédito com uma política monetária que, mesmo em trajetória de queda gradual, ainda mantinha os juros em patamar considerado elevado para o financiamento da produção agrícola.

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