A enxurrada de modelos: GPT-4.5 e Grok 3 disputam a atenção
OpenAI lança prévia de pesquisa do GPT-4.5 na mesma semana em que Elon Musk apresenta o Grok 3, prometido como dez vezes mais potente

OpenAI aposta na escala, mas com cautela
Em 27 de fevereiro de 2025, a OpenAI apresentou o GPT-4.5 como "prévia de pesquisa", disponível inicialmente para usuários do plano Pro e desenvolvedores. Segundo a empresa, tratava-se do maior e mais sofisticado modelo de conversação já lançado até então, resultado da ampliação tanto do pré-treinamento quanto do pós-treinamento — as duas etapas centrais no desenvolvimento de grandes modelos de linguagem. Sam Altman descreveu o GPT-4.5 como o último grande modelo da companhia a não incorporar, de forma nativa, capacidades de raciocínio estendido do estilo da série "o".
A postura mais cautelosa do anúncio — sem grande evento de lançamento, como prévia limitada — foi lida por analistas como reflexo direto do abalo causado pela DeepSeek semanas antes: a OpenAI evitava dar a impressão de estar simplesmente "queimando" capacidade computacional sem ganhos proporcionais de desempenho.
Musk contra-ataca com o Grok 3
Onze dias antes, em 18 de fevereiro, Elon Musk usou uma transmissão ao vivo para apresentar o Grok 3, novo modelo da xAI integrado à rede social X. Segundo o empresário, o sistema foi treinado com "dez vezes mais poder computacional" do que o Grok 2, utilizando o supercomputador Colossus, instalado em Memphis, no Tennessee, e apontado como um dos maiores clusters de GPUs do mundo.
Musk classificou o Grok 3 como a "IA mais inteligente do mundo" no momento do lançamento, citando resultados superiores a rivais em benchmarks de matemática e ciência. A xAI também introduziu o "modo pensamento" (Think), no qual o modelo expõe etapas de raciocínio — recurso que, à época, já havia se tornado praticamente obrigatório entre os principais laboratórios, em resposta direta ao sucesso do R1 chinês.
Um mês de comparações constantes
A imprensa especializada brasileira e internacional passou o mês publicando comparativos de desempenho entre GPT-4.5, Grok 3, Gemini e os modelos da DeepSeek, um sintoma de como a métrica de "quem lidera o ranking" havia se tornado o principal termômetro público da corrida pela IA, ainda que especialistas alertassem que benchmarks isolados diziam pouco sobre utilidade real em tarefas do cotidiano.
Para empresas brasileiras que integravam esses modelos via API, fevereiro de 2025 significou também uma nova rodada de testes e migrações, com equipes de produto avaliando custo, velocidade e qualidade de resposta entre as opções disponíveis — um ciclo de escolha que se repetiria a cada poucos meses ao longo do ano.
Gostou desta reportagem?
Assinar grátis