IBM simula materiais magnéticos reais em computador quântico

Resultado obtido em parceria com laboratório financiado pelo Departamento de Energia dos EUA reproduz dados de experimentos físicos reais

Por Otávio Wagner Pontual· 05 de março de 2026· 7 min de leitura
IBM simula materiais magnéticos reais em computador quântico

Foto: Christina Morillo / Pexels

Da teoria à comparação com o mundo real

Pesquisadores do Centro de Ciências Quânticas, financiado pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos, anunciaram em 26 de março de 2026, em parceria com a IBM, que conseguiram usar um computador quântico para simular com precisão o comportamento de materiais magnéticos reais — reproduzindo dados obtidos anteriormente por meio de experimentos físicos realizados em laboratórios nacionais americanos. O resultado foi descrito pela equipe como um passo relevante porque, historicamente, simulações quânticas de materiais complexos produziam resultados difíceis de validar diretamente contra medições experimentais reais.

Por que simular materiais importa

Materiais magnéticos complexos têm aplicações que vão de discos rígidos e sensores a componentes de futuras tecnologias de armazenamento de energia e computação. Simular com precisão como esses materiais se comportam em nível quântico — algo praticamente impossível para supercomputadores clássicos além de um certo grau de complexidade — é considerado um dos casos de uso mais promissores e comercialmente relevantes da computação quântica no curto e médio prazo, à frente de aplicações mais especulativas como quebra de criptografia.

A corrida por "vantagem quântica prática"

O anúncio de março se somou a uma série de sinalizações da IBM ao longo do primeiro semestre de 2026 de que a empresa mirava demonstrar, ainda naquele ano, uma "vantagem quântica prática" — situação em que um computador quântico supera de forma inequívoca os melhores supercomputadores clássicos disponíveis em uma aplicação real e útil, não apenas em problemas artificiais desenhados especificamente para favorecer a arquitetura quântica. A companhia também anunciou, meses depois, a compra do laboratório de pesquisa quântica HRL, reforçando o investimento em capacidade própria de pesquisa na área.

Concorrência acirrada com Google e outros players

A IBM não estava sozinha nessa corrida: o Google, que já havia anunciado marcos relevantes em processadores quânticos experimentais nos anos anteriores, seguia investindo pesadamente na área, assim como startups especializadas e outros laboratórios governamentais ao redor do mundo, incluindo a China. A disputa por computação quântica era vista por analistas como a "próxima fronteira" tecnológica depois da IA generativa, ainda que com um horizonte de maturação comercial mais distante e incerto.

Um tema ainda distante do público brasileiro

Diferentemente da inteligência artificial generativa, que já havia se popularizado amplamente entre usuários comuns e pequenas empresas brasileiras ao longo de 2025, a computação quântica seguia, em março de 2026, como um tema restrito a centros de pesquisa acadêmica, grandes bancos e algumas poucas empresas de energia e telecomunicações no Brasil interessadas em aplicações de otimização e simulação de longo prazo. Universidades brasileiras, no entanto, começavam a estabelecer parcerias pontuais de pesquisa com laboratórios internacionais na área, na tentativa de não ficar à margem de uma eventual segunda grande revolução computacional depois da IA.

Expectativas para os próximos anos

Especialistas ressaltaram que resultados como o anunciado pela IBM em março de 2026, embora tecnicamente relevantes, ainda estavam distantes de representar aplicações comerciais amplas e imediatas — mas indicavam que o intervalo entre demonstrações de laboratório e usos práticos da computação quântica vinha encurtando de forma consistente, um padrão que a própria indústria de IA generativa já havia percorrido poucos anos antes.

Gostou desta reportagem?

Assinar grátis