Plano Safra recorde de R$ 475,5 bilhões chega ao campo em meio à colheita de verão

Recursos anunciados em julho começam a ser sacados por produtores enquanto soja avança pelo Centro-Oeste

Por Fernanda Kloh· 05 de dezembro de 2024· 8 min de leitura
Plano Safra recorde de R$ 475,5 bilhões chega ao campo em meio à colheita de verão

Foto: Wolfgang Weiser / Pexels

Valor investido na política pública
R$ 475.500.000.000

Recursos chegam ao campo

O Plano Safra 2024/2025, anunciado em julho com um total recorde de R$ 475,5 bilhões em crédito rural, começou a mostrar efeito prático nas fazendas do Centro-Oeste em dezembro. Produtores de Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul relatam maior facilidade para contratar linhas de custeio e investimento, mesmo com a Selic em patamar elevado ao longo do ano.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, cerca de R$ 400,59 bilhões do pacote foram destinados à agricultura empresarial, enquanto R$ 74,98 bilhões ficaram reservados à agricultura familiar, via Pronaf — volume 9,7% maior do que o do ciclo anterior. O aumento veio acompanhado de taxas de juros reduzidas para produtores que adotam práticas consideradas sustentáveis, como plantio direto e recuperação de pastagens degradadas.

No campo, a colheita de soja da safra 2023/2024 já havia sido concluída, e o plantio da nova temporada avançava em ritmo acelerado, favorecido por chuvas regulares em boa parte do Centro-Oeste. Cooperativas da região relatam que a expectativa de um novo recorde de produção em 2024/2025 já era discutida entre técnicos e produtores, num contexto de preços internacionais ainda pressionados pela oferta abundante da temporada anterior.

Desafios de crédito e câmbio

Apesar do volume recorde de recursos, analistas do setor alertam que o custo do crédito segue sendo um obstáculo. Com a taxa básica de juros em elevação, linhas não subsidiadas ficaram mais caras, levando produtores a recorrer cada vez mais a instrumentos como CPR (Cédula de Produto Rural) e Barter, em que insumos são trocados diretamente por grãos na colheita.

O câmbio, por sua vez, seguiu como fator favorável às exportações: o dólar valorizado ajudou a compensar parte da queda nos preços internacionais de commodities, sustentando a receita em reais dos produtores voltados ao mercado externo. Diante desse cenário misto, cooperativas do Mato Grosso reforçaram a orientação para que associados priorizem a gestão de risco financeiro na próxima safra, com trava de preços e hedge cambial.

O período também marcou o início de discussões sobre a renovação da política de garantia de preços mínimos, com produtores de regiões mais distantes dos portos — caso de partes do Matopiba — pedindo reforço nos programas de escoamento, dado o peso do frete no custo final da produção. Para 2025, a expectativa do setor é que o país mantenha a trajetória de crescimento na produção de grãos, ainda que sob pressão de custos e clima.

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