Tarifaço dos Estados Unidos preocupa exportadores de café e carne no auge da entressafra

Tarifas anunciadas por Washington ameaçam mercado histórico para cafeicultores brasileiros

Por Tatiana Farah· 05 de agosto de 2025· 9 min de leitura
Tarifaço dos Estados Unidos preocupa exportadores de café e carne no auge da entressafra

Foto: Wolfgang Weiser / Pexels

Tarifas ameaçam mercado histórico

O anúncio de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, incluindo café e carne bovina, gerou forte apreensão entre exportadores em agosto. O chamado "tarifaço" americano colocou em risco um dos principais destinos históricos do café brasileiro, justamente em um momento de preços recordes no mercado internacional, mas de oferta mais restrita após quebras de safra em anos anteriores.

Cafeicultores e exportadores relataram temor de perda de competitividade frente a concorrentes como Vietnã e Colômbia, que poderiam ser beneficiados caso o produto brasileiro ficasse mais caro no mercado norte-americano em razão das novas taxas. Associações do setor buscaram interlocução com o governo brasileiro para negociar exceções ou compensações, dada a relevância do mercado americano para a cadeia cafeeira nacional.

Diversificação como resposta

Diante do cenário de incerteza, entidades do agronegócio reforçaram a estratégia de diversificação de mercados compradores, apontando para o crescimento das exportações a países da Ásia, Oriente Médio e à própria União Europeia como forma de reduzir a dependência do mercado americano. A carne bovina, por exemplo, já vinha ampliando presença em mercados alternativos nos últimos anos, o que ajudou a amenizar o impacto potencial das novas tarifas sobre o setor pecuário.

O episódio reacendeu o debate sobre a necessidade de o Brasil ampliar acordos comerciais bilaterais e reduzir sua exposição a decisões unilaterais de parceiros comerciais, tema que ganhou força em fóruns do agronegócio ao longo do segundo semestre. Apesar da tensão, analistas ponderaram que a alta expressiva nos preços internacionais do café poderia, ao menos parcialmente, compensar o efeito das tarifas sobre a receita dos exportadores brasileiros nos meses seguintes.

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