O que fica: sentido, gratidão e a coragem de continuar

Uma coluna de encerramento de ciclo sobre construir sentido de vida mesmo em meio às incertezas.

Por Luísa Silva· 15 de julho de 2026· 6 min de leitura

Chegamos a julho de 2026, e sinto vontade de fazer uma pausa mais ampla do que o de costume nesta coluna.

Ao longo destes meses, conversamos sobre ansiedade, luto, maternidade, burnout, relações e tantos outros temas que atravessam a vida psíquica.

Hoje quero falar sobre algo que costura tudo isso: a busca humana por sentido, mesmo em meio a tanta incerteza.

Viktor Frankl, psiquiatra e sobrevivente de campos de concentração, defendia que encontrar sentido é o que sustenta o ser humano mesmo nas piores circunstâncias (citado pela Psychology Today, 2020).

Sentido não é a mesma coisa que felicidade constante; é mais parecido com direção, com aquilo que nos faz seguir mesmo quando os dias são difíceis.

A APA associa senso de propósito de vida a menores índices de depressão e maior longevidade, mesmo controlando outros fatores de saúde (APA, 2021).

Isso não significa que você precise de uma missão grandiosa; sentido pode estar em relações cotidianas, em pequenos cuidados, em trabalhos aparentemente simples.

A gratidão, segundo pesquisas em psicologia positiva, tem efeito mensurável sobre bem-estar subjetivo quando praticada de forma regular e genuína (Nature, 2019).

Isso é diferente de toxic positivity, que nega dificuldades reais em nome de um otimismo forçado; gratidão real convive com reconhecimento da dor.

Olhando para trás, para as colunas destes meses, vejo um fio condutor: a permissão para sentir sem pressa de resolver tudo rapidamente.

A The Atlantic, em texto sobre resiliência, descreve-a não como ausência de sofrimento, mas como capacidade de se adaptar e seguir apesar dele (The Atlantic, 2021).

Resiliência não é dureza; é flexibilidade emocional, é saber dobrar sem quebrar completamente.

Terapia, ao longo da vida, funciona como um espaço de manutenção dessa flexibilidade, não apenas de resolução de crises pontuais.

Cuidar da saúde mental não é destino final, é prática contínua, como escovar os dentes ou se alimentar.

Cada fase da vida trará novos desafios: relações, perdas, mudanças de identidade, questões de trabalho e envelhecimento.

O que muda, com o tempo e com cuidado terapêutico, é nossa capacidade de atravessar essas fases com mais recursos internos.

A Nexo já destacou como sociedades com maior acesso à saúde mental relatam maior satisfação de vida em pesquisas comparativas internacionais (Nexo, 2022).

Isso reforça que cuidar da mente não é luxo individual, é também questão de saúde pública e coletiva.

Se você chegou até aqui, obrigada por caminhar comigo por estes meses de conversa sincera sobre o que dói e o que cura.

Fico com o desejo de que você continue encontrando sentido nos pequenos gestos, e coragem para seguir cuidando de si, hoje e sempre.

Sobre o colunista
Luísa Silva

Psicóloga clínica, escreve sobre saúde mental, relações e o cansaço dos nossos tempos.

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