Balanços trimestrais testam a paciência de Wall Street com os gastos em IA

Big techs divulgam resultados e enfrentam cobrança por retorno concreto sobre os bilhões investidos em infraestrutura de inteligência artificial.

Por Matheus Abreu· 15 de fevereiro de 2026· 6 min de leitura

Fevereiro é tradicionalmente o mês em que boa parte das grandes empresas de tecnologia divulga seus resultados financeiros do último trimestre, e 2026 trouxe um clima de cobrança inédito por parte dos investidores (Financial Times acompanhou de perto as teleconferências com analistas).

Microsoft, Google e Amazon reportaram crescimento robusto em suas divisões de nuvem, mas analistas questionaram insistentemente os executivos sobre quando os investimentos bilionários em data centers de IA começariam a gerar retorno proporcional.

A Meta, por sua vez, mostrou números positivos em publicidade impulsionada por IA, mas revelou também novo recorde de gastos de capital, reforçando preocupações sobre a sustentabilidade financeira desse ritmo de investimento a longo prazo.

A Nvidia seguiu surpreendendo positivamente o mercado, embora tenha alertado sobre possível desaceleração no ritmo de crescimento de pedidos para os trimestres seguintes, um sinal que fez as ações da empresa oscilarem bastante na bolsa.

Em meio a esse cenário, cresceram as comparações entre a atual corrida da IA e a bolha das pontocom do início dos anos 2000, embora a maioria dos analistas ainda considerasse a situação atual estruturalmente diferente, dada a receita real já gerada por essas empresas.

A OpenAI, ainda de capital fechado, divulgou números de faturamento que impressionaram o mercado, embora a empresa continuasse operando com prejuízo líquido significativo, financiado por rodadas sucessivas de investimento externo.

Em cibersegurança, autoridades americanas e europeias alertaram sobre um aumento expressivo de ataques a infraestrutura financeira usando IA generativa para criar esquemas de fraude cada vez mais convincentes e personalizados.

No Brasil, o Banco Central intensificou orientações sobre uso de IA em detecção de fraudes bancárias, exigindo que instituições financeiras mantenham supervisão humana em decisões automatizadas sobre bloqueio de contas e transações suspeitas.

A União Europeia avançou com uma nova rodada de multas antitruste contra big techs americanas, reforçando a postura histórica do bloco de regular com mais rigor as práticas comerciais dessas empresas em solo europeu.

A Apple divulgou resultados trimestrais impulsionados por vendas de iPhone acima do esperado, mas voltou a enfrentar perguntas incômodas sobre o atraso persistente de recursos avançados de IA prometidos para a Siri.

No campo científico, pesquisadores da DeepMind publicaram novos avanços em modelagem de proteínas, expandindo as capacidades do AlphaFold para prever interações moleculares complexas relevantes para o desenvolvimento de novos medicamentos.

A Anthropic anunciou parceria estratégica com uma grande instituição financeira para desenvolver ferramentas de IA voltadas exclusivamente à análise de risco de crédito, um nicho corporativo que a empresa vinha cultivando com discrição.

Do lado dos consumidores, cresceu a adoção de assistentes financeiros pessoais baseados em IA, capazes de sugerir automaticamente cortes de gastos e oportunidades de investimento personalizadas.

No mercado de trabalho, sindicatos de diversas categorias, incluindo bancários e atendentes de call center, intensificaram negociações coletivas específicas sobre uso de IA generativa nos processos internos das empresas.

A Samsung anunciou o novo Galaxy S26, reforçando recursos de IA na câmera e em tradução simultânea de chamadas, características que já vinham se tornando padrão entre os principais fabricantes de smartphones.

Em regulação, o governo americano avançou discussões sobre uma possível lei federal única de IA, buscando novamente evitar a fragmentação de regras estaduais que vinha incomodando empresas de tecnologia havia meses.

Do lado científico, um estudo publicado na revista Science mostrou uso bem-sucedido de IA para otimizar o design de painéis solares mais eficientes, uma aplicação concreta com potencial impacto positivo na transição energética.

A xAI anunciou nova rodada de investimento significativa, reforçando a disputa por capital entre as principais empresas de IA generativa do mundo, ainda distante financeiramente de rivais como OpenAI e Anthropic.

Fevereiro deixou uma mensagem clara para o setor: a paciência do mercado financeiro com gastos bilionários em IA sem retorno imediato está diminuindo, e 2026 pode ser o ano em que essa conta finalmente precisa fechar.

Março se aproximava com expectativa de novos lançamentos de modelos de linguagem e possíveis desdobramentos em processos judiciais envolvendo direitos autorais e IA generativa.

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