CES 2026: robôs domésticos, TVs com IA generativa e o eterno hype dos carros conectados
A feira de tecnologia de Las Vegas mostra robôs domésticos mais capazes, e a indústria automotiva reforça aposta em assistentes de IA a bordo.
Janeiro começou, como sempre, com a CES em Las Vegas, a maior feira de eletrônicos de consumo do mundo, e o tom de 2026 foi dado por robôs domésticos cada vez mais capazes de executar tarefas simples, como dobrar roupas e organizar a cozinha (The Verge cobriu os principais lançamentos do chão de fábrica).
Empresas como Samsung, LG e diversas startups chinesas apresentaram protótipos de assistentes robóticos humanoides, ainda caros e limitados, mas que sinalizavam para onde a indústria pretende caminhar nos próximos anos.
A indústria automotiva também marcou presença forte, com fabricantes como Hyundai, BMW e Mercedes-Benz apresentando assistentes de IA generativa embarcados, capazes de manter conversas naturais com o motorista sobre navegação, manutenção e entretenimento.
Apesar do entusiasmo dos estandes, analistas presentes na feira notaram um certo ceticismo do público em relação a promessas antigas de carros totalmente autônomos, um tema que já vinha sendo prometido havia mais de uma década sem cumprimento pleno.
A Nvidia, mais uma vez protagonista, anunciou nova geração de chips voltados especificamente para robótica, reforçando sua estratégia de dominar não só os data centers, mas também o hardware físico que roda IA fora da nuvem.
Em cibersegurança, pesquisadores apresentaram na feira vulnerabilidades encontradas em diversos dispositivos domésticos conectados exibidos na CES, um lembrete recorrente de que a pressa em lançar produtos 'inteligentes' muitas vezes ignora cuidados básicos de segurança.
No Brasil, o novo marco legal de inteligência artificial entrou em vigor no início do mês, trazendo exigências específicas para sistemas considerados de alto risco, incluindo aqueles usados em processos seletivos de emprego e concessão de crédito.
Empresas brasileiras de tecnologia começaram a se adaptar às novas regras, e escritórios de advocacia relataram aumento expressivo na procura por consultoria especializada em conformidade com a nova legislação de IA.
A OpenAI abriu o ano anunciando parceria ampliada com fabricantes de hardware para desenvolver um dispositivo físico dedicado a interações por voz com IA, dando continuidade a rumores que circulavam desde o ano anterior sobre o projeto conduzido com o designer Jony Ive.
A Meta revelou dados de crescimento contínuo de sua linha de óculos inteligentes, reforçando que o formato havia se tornado, de fato, o produto de consumo de IA mais popular fora da tela do smartphone.
No campo científico, o início do ano trouxe anúncios de avanços em baterias de estado sólido, com aplicação de IA no design de novos materiais, prometendo carros elétricos com autonomia e segurança maiores em poucos anos.
Do lado regulatório internacional, o Reino Unido publicou sua estrutura definitiva de governança de IA, buscando posicionar Londres como um centro alternativo entre o rigor europeu e a postura mais leve dos Estados Unidos.
A Apple, de olho na WWDC de junho, começou a vazar informações sobre uma reformulação mais ambiciosa da Siri, alimentando expectativas renovadas depois de um ano inteiro de atrasos e ajustes de estratégia.
No mercado de trabalho, um levantamento do LinkedIn mostrou crescimento expressivo nas contratações para cargos ligados a 'governança de IA' e 'auditoria de algoritmos', uma nova categoria profissional em franca expansão.
A China apresentou, durante eventos paralelos à CES, seus próprios avanços em chips de IA desenvolvidos internamente, reduzindo gradualmente a dependência de tecnologia americana em meio às restrições comerciais em vigor.
Do lado dos consumidores, cresceu a popularidade de aplicativos de saúde mental com apoio de IA licenciados por planos de saúde americanos, uma tentativa de ampliar acesso a suporte psicológico básico de forma mais acessível.
Em educação, escolas de diversos países começaram o ano letivo já incorporando diretrizes específicas sobre uso responsável de IA generativa, fruto de recomendações divulgadas ao longo do ano anterior.
A Samsung anunciou novos modelos de televisores com processamento de IA generativa embutido, capazes de gerar automaticamente resumos de programas e recomendações personalizadas mais precisas.
Janeiro deixou claro que o hardware físico — robôs, óculos, carros e televisores — está se tornando o próximo grande palco de disputa da inteligência artificial, complementando a briga que antes se concentrava quase inteiramente em modelos de linguagem.
Fevereiro prometia trazer novidades importantes sobre resultados financeiros trimestrais das big techs, um termômetro importante para medir o apetite real do mercado pelos investimentos bilionários em IA.
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