A era dos agentes chegou (e um app chinês chamado Manus surpreendeu todo mundo)

GPT-4.5, Gemini 2.5 e o agente autônomo Manus, da China, mostram que 2025 é o ano dos assistentes que fazem, não só respondem.

Por Matheus Abreu· 15 de março de 2025· 6 min de leitura

Se em 2024 a palavra da moda era 'multimodal', em março de 2025 o termo virou 'agente'. A ideia é simples de explicar: em vez de só responder perguntas, a IA passa a executar tarefas completas sozinha, como reservar uma viagem ou preencher uma planilha.

O maior símbolo disso no mês foi o Manus, um agente de IA chinês desenvolvido pela startup Butterfly Effect, que viralizou ao mostrar vídeos de si mesmo pesquisando na web, escrevendo código e entregando relatórios prontos sem supervisão constante (South China Morning Post, replicado pela imprensa brasileira).

O Manus gerou tanta expectativa que o acesso inicial era só por convite, criando um mercado paralelo de convites sendo vendidos por valores exorbitantes — um fenômeno parecido com o que vimos com o ChatGPT em 2022.

A OpenAI respondeu lançando o GPT-4.5, descrito pela própria empresa como seu modelo 'mais parecido com humano' até então, com respostas mais naturais e menos propenso a alucinações grosseiras, embora sem grandes saltos em raciocínio puro (Ars Technica analisou os números).

O Google, por sua vez, apresentou o Gemini 2.5 Pro, que rapidamente subiu ao topo de rankings independentes como o LMArena, reforçando que a disputa pela liderança em qualidade de modelo está mais acirrada do que nunca.

A Alibaba lançou novas versões do Qwen com capacidades de raciocínio equivalentes às do DeepSeek R1, mostrando que o mercado chinês de IA aberta segue avançando em múltiplas frentes ao mesmo tempo.

No campo da regulação, o Brasil viu o Senado avançar na discussão do PL de IA, com audiências públicas debatendo como equilibrar inovação e proteção de direitos, num processo lento se comparado à velocidade dos lançamentos técnicos.

A União Europeia, pressionada por empresas de tecnologia e alguns governos, sinalizou que poderia suavizar certos prazos da AI Act, um movimento visto como resposta à pressão americana e à preocupação com competitividade (Politico Europe acompanhou as negociações de bastidores).

Em cibersegurança, pesquisadores alertaram sobre o uso crescente de agentes de IA maliciosos, capazes de automatizar ataques de phishing e varredura de vulnerabilidades em escala muito maior do que um hacker humano conseguiria sozinho.

A Microsoft anunciou novidades no Copilot, incluindo 'memória' persistente e capacidade de agir em nome do usuário dentro do pacote Office, uma tentativa clara de colocar agentes dentro do fluxo de trabalho corporativo já existente.

A Nvidia, na conferência GTC, reforçou a narrativa de que o futuro é dos 'agentes físicos' — robôs movidos por IA generativa capazes de operar em fábricas e armazéns, com Jensen Huang apresentando parcerias com dezenas de fabricantes.

No mundo dos gadgets, rumores sobre óculos inteligentes se intensificaram, com a Meta reportando vendas acima do esperado para os Ray-Ban Meta e planos de expandir a linha com telas embutidas ainda em 2025.

A Tesla, em meio a turbulências políticas ligadas a Elon Musk, viu suas vendas de veículos elétricos caírem em vários mercados, o que analistas ligaram tanto à concorrência chinesa quanto ao desgaste da imagem pública do bilionário.

Falando em concorrência chinesa, a BYD anunciou um sistema de recarga ultrarrápida para carros elétricos, capaz de adicionar centenas de quilômetros de autonomia em poucos minutos, intensificando a corrida tecnológica automotiva.

No campo científico, a IA seguiu ajudando pesquisas biomédicas: laboratórios ligados ao Google DeepMind divulgaram avanços no uso do AlphaFold para acelerar o desenvolvimento de novos medicamentos.

Do lado trabalhista, sindicatos de diversas categorias, incluindo atendimento ao cliente e produção de conteúdo, intensificaram pressões por regras claras sobre uso de IA generativa em substituição a trabalhadores humanos.

A Apple, ainda sem resolver os atrasos da Siri, viu analistas reduzirem expectativas para os lançamentos do ano, reforçando a percepção de que a empresa está mais cautelosa (ou atrasada, dependendo de quem você pergunta) na corrida da IA generativa.

Em segurança de dados, veio à tona mais um vazamento envolvendo empresas que usam IA para processar dados sensíveis sem proteção adequada, reacendendo debates sobre privacidade na era dos agentes autônomos.

O mês fechou reforçando uma tendência clara: sair do 'chat que responde' para o 'agente que age' é o próximo grande salto da indústria, e todo mundo — dos EUA à China — está correndo para chegar lá primeiro.

Só que agir sozinho tem seus riscos, e abril reservava um capítulo importante sobre até onde vai essa autonomia — e sobre como tarifas e política internacional também colocam o pezinho na história da tecnologia.

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Matheus Abreu

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