Google I/O e Build: a IA generativa entra de vez no seu dia a dia

Google apresenta o Veo 3 e o Modo IA na busca; Microsoft reforça agentes no Windows; Anthropic lança a família Claude 4.

Por Matheus Abreu· 15 de maio de 2025· 6 min de leitura

Maio é tradicionalmente o mês das grandes conferências de desenvolvedores, e 2025 não decepcionou. O Google I/O trouxe uma enxurrada de anúncios que mostraram como a empresa quer colocar IA generativa em cada cantinho de seus produtos (The Verge cobriu o evento ao vivo).

O destaque ficou por conta do Veo 3, novo modelo de geração de vídeo capaz de criar cenas com áudio sincronizado, incluindo diálogos e efeitos sonoros, um salto e tanto em relação à geração anterior, mudo.

O Google também expandiu o chamado 'Modo IA' na busca, uma reformulação que responde perguntas complexas com texto gerado por IA em vez da tradicional lista de links, uma mudança que preocupa sites que dependem de tráfego de busca para sobreviver.

A Microsoft, na conferência Build, reforçou sua aposta em agentes dentro do Windows e do Copilot, anunciando o chamado 'Copilot Actions', capaz de executar tarefas em múltiplos aplicativos sem intervenção constante do usuário.

A Anthropic lançou a família Claude 4, com os modelos Opus 4 e Sonnet 4, apresentados como os melhores do mercado para tarefas de programação complexa, um nicho que a empresa vem cultivando com afinco (Wired testou a nova geração).

A xAI, por sua vez, lançou o Grok 3.5, prometendo melhorias em raciocínio, embora analistas independentes tenham notado que a diferença em relação aos concorrentes ficava cada vez menor a cada nova geração de modelos.

No campo da regulação, o governo americano avançou discussões sobre uma possível lei federal única de IA, tentando evitar uma colcha de retalhos de regras estaduais diferentes que atrapalhassem empresas que operam no país inteiro.

A União Europeia, ao mesmo tempo, sofria pressão de grupos empresariais para simplificar a AI Act, um movimento que ficou conhecido informalmente como 'pacote de simplificação digital' (Politico Europe acompanhou as negociações).

Em cibersegurança, cresceram relatos de ataques usando IA para gerar malware polimórfico, capaz de se reescrever automaticamente para escapar de antivírus tradicionais, elevando o nível de sofisticação das ameaças digitais.

A Apple, tentando recuperar terreno, adiantou detalhes sobre a WWDC de junho, prometendo uma renovação visual completa de seus sistemas operacionais, batizada depois de 'Liquid Glass', embora sem grandes promessas novas de IA.

No mercado de trabalho, um estudo amplamente citado da consultoria McKinsey reforçou que funções administrativas e de atendimento seguem entre as mais expostas à automação por IA generativa nos próximos cinco anos.

A Nvidia anunciou parcerias bilionárias com países do Oriente Médio, incluindo Arábia Saudita e Emirados Árabes, para construção de data centers de IA, ampliando o mapa geopolítico da infraestrutura computacional.

No campo dos gadgets, rumores sobre um possível dispositivo de IA sem tela, fruto da parceria entre a OpenAI e o designer Jony Ive, voltaram a circular, alimentando expectativas sobre o 'próximo iPhone da IA' (The Information, replicado por diversos veículos).

A Meta seguiu expandindo sua linha de óculos inteligentes, testando modelos com tela embutida no lado direito da lente, uma evolução natural dos Ray-Ban Meta que já vinham fazendo sucesso comercial.

No Brasil, cresceu o número de empresas adotando assistentes de IA generativa em atendimento ao cliente via WhatsApp, uma combinação natural dado o tamanho do aplicativo por aqui.

Do lado científico, o uso de IA para prever eventos climáticos extremos ganhou destaque, com modelos como o GraphCast, do Google DeepMind, sendo citados como ferramentas cada vez mais precisas para meteorologia.

Em educação, universidades ao redor do mundo intensificaram debates sobre como lidar com o uso de IA generativa por estudantes, com algumas adotando ferramentas de detecção e outras optando por redesenhar completamente suas avaliações.

A discussão sobre 'AI slop' — conteúdo de baixa qualidade gerado em massa por IA e espalhado pela internet — ganhou força, com reportagens da Wired e do 404 Media documentando o fenômeno em redes sociais e sites de notícias falsos.

O mês de maio reforçou uma tendência: a IA generativa não é mais um recurso isolado, é parte da arquitetura básica de busca, produtividade e comunicação digital, para o bem e para o mal.

Junho prometia ser decisivo para a Apple, que precisava mostrar ao mundo que ainda tinha fôlego na corrida da inteligência artificial.

Sobre o colunista
Matheus Abreu

Traduz o noticiário de tecnologia para quem quer entender o impacto no trabalho e na vida cotidiana.

Ver todas as colunas →