Paris discute o futuro da IA (e os EUA e o Reino Unido saem batendo o pé)

A Cúpula de Ação em IA de Paris expõe rachas geopolíticos, enquanto a AI Act europeia começa a valer e a xAI lança o Grok 3.

Por Matheus Abreu· 15 de fevereiro de 2025· 6 min de leitura

Fevereiro de 2025 teve Paris como palco principal do debate sobre inteligência artificial. A Cúpula de Ação em IA reuniu chefes de Estado, CEOs de big techs e pesquisadores para discutir os rumos da tecnologia (Reuters cobriu o evento em detalhes).

O que chamou atenção não foi um consenso, mas justamente a falta dele. O vice-presidente americano JD Vance discursou defendendo menos regulação e criticando abertamente a abordagem europeia, considerada excessivamente cautelosa.

Já o Reino Unido e os Estados Unidos se recusaram a assinar a declaração final do encontro, que pedia um desenvolvimento de IA 'inclusivo e sustentável', reforçando o racha entre a visão europeia e a anglo-saxã sobre o tema (Financial Times).

No mesmo período, a União Europeia começou a aplicar oficialmente as primeiras regras da AI Act: a partir de 2 de fevereiro, ficaram proibidas práticas consideradas de risco inaceitável, como pontuação social automatizada e certos tipos de reconhecimento facial em tempo real.

Empresas que descumprirem essas proibições específicas podem levar multas pesadas, o que fez consultorias jurídicas em toda a Europa entrarem em polvorosa para orientar seus clientes sobre adequação (MIT Technology Review acompanhou o tema de perto).

No campo dos lançamentos, a xAI de Elon Musk apresentou o Grok 3, seu modelo mais ambicioso até então, prometendo desempenho de ponta em raciocínio e matemática, treinado num supercomputador batizado de Colossus, no Tennessee.

A OpenAI, por sua vez, lançou o o3-mini, uma versão mais enxuta e barata do modelo de raciocínio, deixando claro que a estratégia agora inclui opções para diferentes bolsos e diferentes necessidades de uso.

A Anthropic também entrou na dança com o Claude 3.7 Sonnet, apresentado como o primeiro modelo 'híbrido de raciocínio', capaz de alternar entre respostas rápidas e um modo de pensamento mais profundo, dependendo da complexidade da pergunta (The Verge testou a novidade).

Enquanto isso, a Microsoft anunciou o Majorana 1, seu primeiro chip quântico baseado numa nova arquitetura de qubits topológicos, prometendo avanços de longo prazo — mas com boa dose de ceticismo da comunidade científica sobre a validação dos resultados.

No Brasil, o tema da soberania digital ganhou força, com o governo discutindo a criação de uma infraestrutura nacional de computação para IA, evitando depender só de nuvens estrangeiras.

O mercado de trabalho seguiu tenso: relatórios do Fórum Econômico Mundial, discutidos amplamente na imprensa, reforçaram que a automação via IA deve substituir funções repetitivas em atendimento ao cliente e back office nos próximos anos.

A Amazon anunciou o Alexa+, uma versão da assistente turbinada com IA generativa, prometendo conversas mais naturais e capacidade de executar tarefas, num claro aceno à era dos agentes autônomos.

A Apple, por sua vez, continuou patinando com a Siri prometida para 2025: rumores davam conta de atrasos internos e uma reorganização da equipe responsável pela assistente (Bloomberg, via reportagens replicadas por veículos brasileiros).

Em cibersegurança, cresceram os relatos de phishing potencializado por IA generativa, com e-mails e sites falsos praticamente indistinguíveis dos originais, aumentando a pressão sobre bancos e empresas de segurança digital.

Do lado da China, além da DeepSeek, outras empresas como a Alibaba apresentaram atualizações de seus modelos Qwen, mostrando que o boom chinês de IA não era um evento isolado, mas uma tendência consistente.

A Nvidia, ainda se recuperando do susto de janeiro, apresentou na CES seus novos chips Blackwell Ultra e reforçou parcerias com fabricantes de carros e robótica, tentando mostrar que a demanda por poder computacional segue firme.

No campo dos gadgets, a Samsung lançou a linha Galaxy S25 com forte ênfase em recursos de IA integrados ao Android, incluindo funções de busca visual e assistente por voz mais inteligente (TechCrunch cobriu o lançamento).

O debate sobre o consumo de energia dos data centers de IA voltou à tona, com estudos apontando que a demanda elétrica ligada à IA pode dobrar até 2030 em alguns países, pressionando metas climáticas.

Encerrando o mês, ficou nítido que a geopolítica da IA está longe de ser resolvida: cada bloco — Estados Unidos, Europa e China — segue com sua própria régua sobre o que é aceitável, e isso vai continuar gerando atrito.

Para março, o clima já prometia mais lançamentos de modelos e a chegada de agentes de IA capazes de operar computadores sozinhos — um tema que, como você vai ver, ganhou tração rápido demais para muita gente acompanhar.

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Matheus Abreu

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