Tarifas, chips e o Llama 4: abril turbulento para a tecnologia

Guerra tarifária de Trump mexe com cadeia de chips, enquanto Meta lança o Llama 4 e OpenAI reorganiza sua família de modelos.

Por Matheus Abreu· 15 de abril de 2025· 6 min de leitura

Abril de 2025 foi o mês em que a política internacional invadiu de vez as manchetes de tecnologia. O governo Trump anunciou uma nova rodada de tarifas comerciais que atingiu diretamente eletrônicos, semicondutores e componentes fabricados na Ásia (Financial Times).

O mercado de ações de tecnologia reagiu com nervosismo, e empresas como Apple, que dependem fortemente da manufatura chinesa, viram suas ações balançarem enquanto avaliavam o impacto real das novas tarifas em seus preços finais.

No meio disso, a Meta lançou a família Llama 4, com os modelos Scout e Maverick, prometendo janelas de contexto gigantescas — a ponto de conseguir processar livros inteiros de uma vez (TechCrunch cobriu os detalhes técnicos).

A recepção, porém, foi mista: pesquisadores independentes notaram diferenças entre o desempenho anunciado pela Meta e os resultados obtidos em testes públicos, reacendendo o debate sobre transparência em benchmarks de IA.

A OpenAI, por sua vez, lançou o GPT-4.1 e reorganizou sua linha de produtos, unificando modelos de raciocínio e modelos de conversa comum numa estratégia mais clara para desenvolvedores que usam a API.

O tema dos chips avançados continuou quente: o governo americano ampliou restrições à venda de chips da Nvidia para a China, mirando especialmente o modelo H20, criado justamente para contornar sanções anteriores (Reuters).

A Nvidia estimou perdas bilionárias com essas novas restrições, um lembrete de que a geopolítica dos semicondutores pesa tanto quanto a inovação técnica na hora de definir quem lidera a corrida da IA.

No Brasil, o debate sobre um possível 'Vale do Silício tupiniquim' ganhou força com anúncios de investimento em data centers por parte de empresas como Microsoft e Google, de olho no mercado latino-americano.

Em cibersegurança, um ataque de ransomware expressivo atingiu uma rede hospitalar nos Estados Unidos, reacendendo alertas sobre a fragilidade de infraestruturas críticas diante de ataques cada vez mais sofisticados.

A Anthropic divulgou um relatório detalhado sobre o comportamento interno dos modelos de linguagem, tentando explicar como o Claude 'pensa', um esforço de interpretabilidade que a empresa considera essencial para a segurança futura da IA.

O tema da autonomia dos agentes de IA seguiu evoluindo: ferramentas como o Operator, da OpenAI, e o Manus, da China, começaram a ser testadas por empresas para automatizar tarefas de pesquisa e atendimento.

A Samsung e a Google reforçaram a parceria em torno do Android XR, plataforma voltada a óculos e headsets de realidade mista, de olho em competir com o Vision Pro da Apple e o ecossistema da Meta.

No mercado de trabalho, uma pesquisa amplamente citada pela imprensa mostrou queda expressiva nas contratações de programadores juniores, atribuída em parte ao uso crescente de assistentes de código como o GitHub Copilot e o Cursor.

A União Europeia adiou parte da aplicação de regras específicas da AI Act relacionadas a sistemas de alto risco, alegando necessidade de mais orientações técnicas antes de exigir conformidade total das empresas.

A Apple confirmou oficialmente o atraso das funções mais ambiciosas da nova Siri, empurrando o lançamento para 2026 e reconhecendo publicamente as dificuldades internas do projeto (relatos amplamente replicados a partir de fontes como Bloomberg).

No campo científico, avanços em IA aplicada à biologia continuaram surpreendendo, com empresas como a Isomorphic Labs, ligada ao Google DeepMind, avançando em parcerias farmacêuticas para descoberta de novos medicamentos.

A xAI, de Elon Musk, anunciou a fusão com a X (antigo Twitter), unindo a empresa de IA à rede social numa jogada que analistas viram como forma de financiar os custos altíssimos de treinar modelos como o Grok.

Do lado dos consumidores, cresceu a adoção de assistentes de IA em compras online, com recomendações personalizadas e até negociação automática de preços por agentes, uma tendência batizada de 'comércio agente' por veículos como o TechCrunch.

O mês deixou claro que tecnologia e geopolítica estão cada vez mais entrelaçadas: tarifas, sanções a chips e disputas comerciais influenciam diretamente o que chega — e quando chega — até o usuário final.

Para maio, as atenções se voltavam para as grandes conferências de desenvolvedores, com Google e Microsoft prometendo novidades importantes sobre IA generativa integrada ao dia a dia digital.

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