WWDC sem grande salto de IA, mas com visual novo (e Meta gastando bilhões em talentos)

Apple aposta em design com o Liquid Glass e adia a Siri de novo; Meta contrata pesquisadores de ponta a peso de ouro.

Por Matheus Abreu· 15 de junho de 2025· 6 min de leitura

Junho de 2025 teve a WWDC, a conferência anual de desenvolvedores da Apple, e o resultado dividiu opiniões. A grande novidade foi visual: o 'Liquid Glass', um redesenho completo da interface de iOS, macOS e demais sistemas da empresa (The Verge fez uma cobertura completa).

No quesito inteligência artificial, porém, a Apple decepcionou parte da imprensa especializada: a Siri renovada, prometida desde 2024, mais uma vez não apareceu por completo, reforçando a sensação de atraso da empresa nessa corrida.

A Apple abriu, em compensação, acesso a seus modelos de IA on-device para desenvolvedores externos, permitindo que aplicativos de terceiros usem os recursos de linguagem processados diretamente no iPhone, sem depender da nuvem.

Enquanto isso, a Meta fez barulho contratando pesquisadores de ponta de outras empresas de IA, incluindo ex-integrantes da OpenAI e do Google DeepMind, com pacotes de remuneração que chegavam a centenas de milhões de dólares (Wired detalhou os bastidores).

O movimento fazia parte da criação de um novo laboratório interno, batizado de Meta Superintelligence Labs, focado em buscar avanços mais ambiciosos do que os obtidos até então pela família Llama.

A OpenAI lançou o o3-pro, uma versão ainda mais potente (e mais lenta) de seu modelo de raciocínio, voltada para tarefas que exigem profundidade analítica em vez de respostas instantâneas.

Em cibersegurança, veio à tona um vazamento gigantesco de credenciais, apelidado de 'a mãe de todos os vazamentos', reunindo bilhões de combinações de login e senha coletadas de bases de dados anteriores (Cybernews, amplamente citado internacionalmente).

A União Europeia avançou nas orientações técnicas para as obrigações da AI Act voltadas a modelos de propósito geral, que passariam a valer oficialmente em agosto, deixando empresas de tecnologia em compasso de espera e ajuste.

No Brasil, o Senado aprovou avanços no projeto de lei de inteligência artificial, com capítulos específicos sobre direitos autorais e uso de obras protegidas no treinamento de modelos, tema sensível para artistas e criadores de conteúdo.

A Nvidia se tornou, brevemente, a empresa mais valiosa do mundo, ultrapassando marcas históricas de valor de mercado, um símbolo de como a demanda por chips de IA segue aquecida apesar de todos os sustos do ano.

No campo dos veículos autônomos, a Waymo, do Google, expandiu suas operações de robotáxi para novas cidades americanas, enquanto a Tesla enfim lançou testes limitados de seu tão prometido serviço de robotáxi no Texas.

A xAI lançou atualizações do Grok voltadas à criação de personagens de IA com personalidade, incluindo companhias virtuais, uma aposta que gerou tanto interesse comercial quanto críticas sobre os riscos para usuários vulneráveis.

Do lado da música e do entretenimento, gravadoras entraram em negociações e processos judiciais contra empresas de IA generativa de áudio, como a Suno e a Udio, discutindo uso de músicas protegidas por direitos autorais no treinamento dos modelos.

No mercado de trabalho, a IBM e outras grandes empresas de tecnologia anunciaram novas rodadas de demissões, atribuindo parte da reestruturação à automação de funções internas por IA generativa.

Em educação, a Khan Academy e outras plataformas expandiram o uso de tutores de IA personalizados, mostrando um caminho mais otimista para a tecnologia dentro das salas de aula.

A Samsung anunciou dispositivos dobráveis mais finos, com o Galaxy Z Fold7, reforçando recursos de IA integrados à câmera e à produtividade, na tentativa de diferenciar o hardware da concorrência chinesa.

O tema da energia voltou à pauta: relatórios da Agência Internacional de Energia apontaram crescimento acelerado do consumo elétrico ligado a data centers de IA, pressionando metas de transição energética em vários países.

Cresceu também o debate sobre 'IA companheira', com aplicativos de chatbots afetivos ganhando milhões de usuários, e psicólogos alertando sobre riscos de isolamento social e dependência emocional dessas ferramentas (reportagem do The Guardian repercutiu bastante).

O mês de junho deixou uma mensagem clara: mesmo empresas gigantes como a Apple sentem o peso da corrida da IA, e a briga por talentos ficou tão acirrada quanto a briga por chips.

Julho prometia mais uma rodada de lançamentos, com destaque para os planos ambiciosos da xAI e o avanço dos agentes dentro do próprio ChatGPT.

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