Fed corta juros pela terceira vez seguida em meio a intensa divergência interna sobre novo ciclo
Taxa cai para faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano; ata da reunião revela debate acirrado entre diretores, às vésperas da indicação de novo presidente do banco central mais tolerante à inflação

O Federal Reserve decidiu, em 10 de dezembro de 2025, reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, levando-a para o intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano — o terceiro corte consecutivo desde a retomada do ciclo de afrouxamento em setembro. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, veio acompanhada, contudo, de uma ata de reunião que revelou divisões profundas dentro do comitê de política monetária, com diretores discordando abertamente sobre o ritmo adequado de novos cortes diante de uma inflação que ainda resistia acima da meta.
Segundo a ata divulgada pelo Fed, parte dos diretores considerava que cortes adicionais seriam apropriados caso a inflação continuasse a ceder de forma gradual, enquanto outra parcela do colegiado defendia uma pausa mais prolongada, argumentando que as taxas deveriam permanecer estáveis "por algum tempo" diante dos riscos ainda presentes de repasse tarifário aos preços. A decisão foi descrita pela Forbes como "finamente equilibrada", refletindo o ambiente de incerteza que marcara praticamente todo o ano de 2025.
Um ano marcado pela sucessão no comando
O pano de fundo político do episódio era particularmente relevante: relatórios do mercado financeiro, como o do Itaú, já apontavam a expectativa de que o próximo presidente do Fed, a ser indicado por Trump para substituir Jerome Powell em 2026, adotaria postura mais tolerante à inflação, priorizando cortes de juros mais agressivos em linha com as preferências declaradas do presidente americano. Essa perspectiva já começava a influenciar as expectativas de mercado sobre a trajetória dos juros americanos ao longo do ano seguinte, mesmo antes de qualquer indicação formal.
Atividade resiliente, mas mercado de trabalho fraco
Analistas destacaram que a economia americana seguia mostrando resiliência em termos de atividade agregada, mas o mercado de trabalho apresentava sinais crescentes de estabilização em patamar mais fraco, com criação de vagas moderada e taxa de desemprego em leve alta. Essa combinação de crescimento ainda positivo, mas emprego enfraquecido, justificava a cautela do banco central em não acelerar demais o ritmo de cortes, temendo reacender pressões inflacionárias antes de consolidar a desinflação buscada ao longo dos dois anos anteriores.
Fechamento de um ano turbulento
O corte de dezembro encerrou um ano em que o Fed havia navegado entre pressões políticas inéditas, um choque tarifário histórico e um conflito geopolítico no Oriente Médio com impacto direto sobre o preço da energia. Para 2026, o mercado já apostava que a chegada de um novo presidente ao Fed, mais alinhado às preferências de Trump por juros baixos, marcaria uma possível mudança de paradigma na condução da política monetária americana — expectativa que, meses depois, se confirmaria de maneira ainda mais assertiva do que muitos analistas haviam previsto.
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