Fed retoma cortes de juros após pressão do mercado de trabalho e projeta mais duas reduções em 2025

Corte de 0,25 ponto leva taxa para faixa entre 4% e 4,25%, primeira redução desde dezembro de 2024, sinalizando resposta do banco central a sinais de fraqueza no emprego americano

Por Aline Barbosa Teixeira· 05 de setembro de 2025· 6 min de leitura
Fed retoma cortes de juros após pressão do mercado de trabalho e projeta mais duas reduções em 2025

Foto: Paulo Rená da Silva Santarém / Wikimedia Commons

O Federal Reserve encerrou, em 17 de setembro de 2025, o período de pausa nos cortes de juros que perdurava desde dezembro do ano anterior. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) decidiu reduzir a taxa básica em 0,25 ponto percentual, levando o intervalo para entre 4% e 4,25% ao ano, e sinalizou que pretendia manter um ritmo mais constante de reduções pelo restante do ano, com projeções indicando ao menos mais dois cortes até dezembro.

A decisão respondeu principalmente a sinais crescentes de enfraquecimento no mercado de trabalho americano, que ao longo do verão do hemisfério norte passou a apresentar números de criação de empregos abaixo do esperado e revisões para baixo em dados anteriores. Ainda que a inflação permanecesse acima da meta de 2%, em parte por causa do repasse gradual das tarifas aos preços ao consumidor, o Fed avaliou que os riscos para o emprego haviam se tornado prioritários o suficiente para justificar a retomada do afrouxamento monetário.

Pressão política mantida

A decisão ocorreu em meio à continuidade da pressão pública de Donald Trump por cortes ainda mais agressivos, com o presidente reiterando críticas à condução da política monetária por Powell, cujo mandato à frente do Fed se aproximava do fim. Comentaristas do mercado financeiro destacaram que, apesar da pressão política, a decisão de setembro pareceu tecnicamente justificada pelos dados de emprego, reduzindo, ao menos parcialmente, a narrativa de que o Fed estaria cedendo a interferência política.

Reação de mercados globais

Bolsas globais reagiram positivamente ao corte, com destaque para mercados emergentes, que historicamente se beneficiam de um ciclo de afrouxamento monetário americano em razão do fluxo de capital em busca de retornos maiores fora dos Estados Unidos. No Brasil, a expectativa de juros americanos mais baixos ajudou a aliviar a pressão sobre o real e trouxe algum fôlego adicional para o Banco Central brasileiro avaliar o ritmo de sua própria política monetária, ainda concentrada em conter os efeitos inflacionários residuais do choque tarifário e do conflito no Oriente Médio.

Um alívio parcial em ano turbulento

Economistas ponderaram, contudo, que o corte de setembro não deveria ser interpretado como sinal de que os riscos inflacionários haviam desaparecido. Pelo contrário: a combinação de tarifas ainda em vigor sobre boa parte das importações americanas com o repasse gradual desses custos aos preços ao consumidor mantinha o Fed em posição delicada, obrigado a equilibrar simultaneamente o objetivo de sustentar o emprego e o de não permitir uma nova aceleração da inflação, um dilema que se estenderia pelos meses seguintes e voltaria a ganhar contornos dramáticos com a mudança na presidência da instituição, anunciada meses depois.

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