
Edição #10 — Outubro Cívico
Setembro de 2025 · DF e Entorno
Editorial desta edição abaixo.
Carta do editor
A condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão no processo sobre a trama golpista constitui um episódio relevante da história institucional brasileira. Pela primeira vez, um ex-presidente eleito recebe pena dessa extensão por atos relacionados à tentativa de ruptura da ordem democrática. Por um lado, há quem considere a decisão uma aplicação necessária da responsabilidade penal diante de iniciativas destinadas a impedir ou reverter o resultado eleitoral. Por outro, há quem questione aspectos da competência, da dosimetria da pena ou da avaliação das provas. Essas divergências devem ser examinadas segundo a Constituição, que protege tanto a soberania do voto quanto os direitos fundamentais dos acusados.
Processos dessa gravidade exigem provas consistentes, ampla defesa, contraditório, fundamentação pública e acesso aos recursos previstos em lei. O devido processo legal não depende da identidade do réu nem de sua posição política: é uma garantia indispensável ao Estado de Direito. Há quem defenda que a atuação do Supremo Tribunal Federal foi necessária para proteger as instituições, enquanto outros argumentam que a Corte deve observar com especial cautela os limites de sua competência e a separação entre os Poderes. Cabe ao tribunal sustentar suas decisões em critérios jurídicos transparentes; ao sistema político, debater eventuais propostas de anistia ou outras respostas legislativas dentro das regras constitucionais, considerando seus possíveis efeitos sobre a responsabilização e a pacificação social.
Brasília concentrou acontecimentos centrais desse período: manifestações contra a confiabilidade das urnas encontraram apoio em setores instalados no poder, e, em 8 de janeiro de 2023, as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas. Para alguns, responsabilizar articuladores e executores é indispensável para evitar que apenas participantes de menor influência respondam pelos fatos. Para outros, a individualização das condutas e das penas requer atenção para que vínculos políticos ou hierárquicos não substituam a comprovação da participação de cada acusado. Além das ações penais, permanece o debate sobre medidas para reduzir a politização das forças de segurança, enfrentar a desinformação sem restringir indevidamente a liberdade de expressão e proteger a administração pública, respeitando o federalismo e as competências de cada instituição.
O sentido cívico deste outubro pode ser encontrado no compromisso cotidiano com regras comuns, direitos fundamentais e controles institucionais. A sentença pode concluir uma etapa do processo penal, mas não encerra as controvérsias políticas e sociais relacionadas ao episódio. O fortalecimento democrático depende da proteção da ordem constitucional, das garantias dos acusados, da transparência das instituições e da reconstrução da confiança pública. À luz dos fatos, dos recursos ainda cabíveis e dos princípios constitucionais envolvidos, cabe a cada leitor formar seu próprio juízo.
— A Redação
Da redação
9 matériasDF fecha segundo quadrimestre de 2025 com superávit de R$ 1,48 bilhão
Relatório fiscal apresentado à CLDF mostra contas públicas equilibradas no DF, com arrecadação acima do previsto, gastos com pessoal sob controle e novo aporte federal bilionário via Novo PAC anunciado por Rui Costa.

Safra de grãos 2024/25 fecha com recorde histórico de 350 milhões de toneladas
Conab confirma resultado puxado por soja e pelo maior volume de milho já registrado. Safra de grãos 2024/25 fecha com recorde histórico de 350 milhões de toneladas

Nvidia investe US$ 5 bilhões na Intel e revela chips de nova geração
Em setembro de 2025, a Nvidia anunciou os chips Rubin CPX, voltados a processamento de vídeo por IA, e um investimento bilionário na concorrente Intel, movimentos que reforçaram sua posição central na cadeia de suprimentos global de inteligência artificial.
Fed retoma cortes de juros após pressão do mercado de trabalho e projeta mais duas reduções em 2025
Depois de cinco reuniões sem mexer nos juros, o Fed retomou os cortes em setembro, citando enfraquecimento do mercado de trabalho e sinalizando ritmo constante de novas reduções até o fim do ano.

Ministério da Saúde distribui 6,8 milhões de doses para campanha de multivacinação infantil
Lançada no fim de setembro, a Campanha Nacional de Multivacinação vai imunizar crianças e adolescentes entre 6 e 31 de outubro, oferecendo todas as vacinas do calendário infantil em postos de saúde de todo o Brasil.

Festival Vibrar reúne shows gratuitos no Parque da Cidade e agita fim de semana em Brasília
Brasília viveu um setembro repleto de opções de lazer, com o Festival Vibrar no Parque da Cidade, a última edição do Na Praia Festival e a comemoração de nove anos do Praia Sunset à beira do Lago Paranoá.

Exposição 'Recortes do Cerrado' celebra o bioma no Foyer da Câmara Legislativa do DF
De 5 a 26 de setembro, a CLDF recebeu a exposição 'Recortes do Cerrado', enquanto o Museu de Arte de Brasília abriu espaço para a quinta temporada da Plataforma Encantarias de Culturas Populares.

Flamengo elimina Estudiantes nos pênaltis e garante vaga na semifinal da Libertadores
Após perder por 1 a 0 no tempo normal em La Plata, o Flamengo venceu o Estudiantes nos pênaltis por 4 a 2, em 25 de setembro, e vai enfrentar o Racing na semifinal da Libertadores 2025.
Vozes desta edição

Cade aprova a fusão do ano: BRF e Marfrig
O tribunal do Cade dá aval unânime à união entre BRF e Marfrig, consolidando um dos maiores grupos de proteína do mundo.
Por Hiram Gonçalves

Primavera e o boom das viagens internacionais
Coluna de turismo da edição de 2025-09 da Revista da Capital: primavera e o boom das viagens internacionais, com panorama de destinos, tendências e novidades do setor de viagens.
Por Rafaela Sanches
iPhone 17, IA em toda parte e o apagão que assustou a nuvem
Apple lança nova linha de iPhones com foco em câmera e IA, enquanto uma falha em provedor de nuvem derruba meio mundo por horas.
Por Matheus Abreu

Setembro Amarelo: falar sobre suicídio salva vidas
Em mês de prevenção ao suicídio, uma conversa cuidadosa sobre como falar do tema sem tabu e como ajudar quem sofre.
Por Luísa Silva


