Nvidia investe US$ 5 bilhões na Intel e revela chips de nova geração
Rubin CPX e aliança com a rival histórica marcam consolidação do domínio da Nvidia sobre a infraestrutura de IA

Rubin CPX: uma nova classe de processador
Em 9 de setembro de 2025, a Nvidia anunciou o Rubin CPX, descrito pela empresa como uma nova classe de unidade de processamento gráfico (GPU), construída sobre a arquitetura Rubin de próxima geração — sucessora da atual linha Blackwell. Diferentemente das GPUs de uso geral para treinamento de modelos, o Rubin CPX foi projetado especificamente para lidar com contextos massivos de dados, como geração de vídeo por IA e processamento de janelas de contexto extremamente longas em modelos de linguagem, tarefas que vinham se tornando cada vez mais comuns com a popularização de ferramentas como o Sora e o Veo.
Uma aliança improvável com a Intel
Dias depois, em 18 de setembro, a Nvidia surpreendeu o mercado ao anunciar um investimento de US$ 5 bilhões na Intel — historicamente sua principal concorrente no mercado de processadores, mas que vinha perdendo relevância na corrida por chips de inteligência artificial. O acordo previa o desenvolvimento conjunto de semicondutores voltados tanto a computadores pessoais quanto a data centers, unindo a expertise da Nvidia em aceleração de IA à capacidade de manufatura e ao portfólio de processadores x86 da Intel, que enfrentava dificuldades financeiras crescentes.
Analistas descreveram a aliança como um movimento estratégico duplo: para a Nvidia, uma forma de ampliar sua presença no mercado de computadores pessoais equipados com IA embarcada (os chamados "AI PCs"); para a Intel, um respiro financeiro e um selo de validação num momento delicado de sua história corporativa.
O acordo bilionário com a OpenAI
O mês também foi marcado pela formalização de um acordo entre Sam Altman, da OpenAI, e Jensen Huang, CEO da Nvidia, envolvendo até US$ 100 bilhões em investimentos e a construção de até 10 gigawatts de capacidade em supercomputadores dedicados a IA — um volume de energia comparável ao consumo de uma cidade de médio porte. O acordo colocou Microsoft e Oracle, parceiros históricos da OpenAI em infraestrutura, em posição secundária na disputa pelo fornecimento de capacidade computacional à empresa.
Concentração de poder e riscos sistêmicos
O conjunto de anúncios de setembro reforçou preocupações, já expressas por reguladores e economistas ao longo de 2025, sobre a concentração crescente de poder econômico e técnico nas mãos de um número reduzido de empresas na cadeia de infraestrutura de IA. A Nvidia, em particular, consolidou-se como um ponto de conexão entre praticamente todos os grandes laboratórios de IA do mundo — seja como fornecedora direta de chips, seja como investidora estratégica em parceiros e até concorrentes.
Repercussão no Brasil
Para o mercado brasileiro, fortemente dependente de importação de hardware para operações de data center e de IA, os movimentos da Nvidia em setembro de 2025 reforçaram preocupações sobre custos crescentes de infraestrutura e a dificuldade de o país construir capacidade computacional própria em escala relevante — um tema que ganharia ainda mais destaque meses depois, com o lançamento de iniciativas de "IA soberana" apoiadas pelo governo federal.
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