Trump e Xi Jinping fecham trégua comercial em cúpula na Coreia do Sul, mas analistas veem fragilidade
Acordo reduz tarifas recíprocas e suspende restrições chinesas a terras raras, enquanto Fed corta juros pela segunda vez seguida; mercados reagem com ceticismo sobre durabilidade do entendimento

Em 30 de outubro de 2025, os presidentes Donald Trump e Xi Jinping se encontraram à margem de uma cúpula internacional em Busan, na Coreia do Sul, e anunciaram um novo acordo comercial destinado a reduzir as tensões entre as duas maiores economias do mundo. O entendimento previa cortes nas tarifas recíprocas impostas ao longo do ano e a suspensão, por parte de Pequim, das restrições à exportação de terras raras — insumo estratégico para setores como tecnologia, defesa e veículos elétricos, que havia se tornado uma das principais moedas de troca chinesas nas negociações.
A reação inicial dos mercados foi de otimismo moderado: bolsas em Nova York, Xangai e em praças emergentes registraram ganhos no dia seguinte ao anúncio. No entanto, analistas ouvidos pela Reuters e reproduzidos por veículos brasileiros classificaram rapidamente o acordo como uma "trégua tática", e não uma "grande reviravolta" nas relações entre os dois países. Segundo essa leitura, tarifas setoriais sobre produtos estratégicos, como semicondutores avançados, permaneceram fora do escopo do entendimento, e as causas estruturais da rivalidade — disputa por liderança tecnológica e desequilíbrios comerciais crônicos — continuavam sem qualquer solução de longo prazo.
Fed corta juros pela segunda vez seguida
No mesmo período, o Federal Reserve promoveu, em 29 de outubro, um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros americana, o segundo consecutivo desde a retomada do ciclo de afrouxamento em setembro. A decisão, amplamente antecipada pelo mercado, reforçou a leitura de que o banco central americano priorizava, naquele momento, o sustento do mercado de trabalho, ainda que a inflação seguisse pressionada pelo custo residual das tarifas.
Ceticismo do mercado prevalece
Apesar do duplo alívio — trégua comercial e corte de juros — analistas do InfoMoney observaram que o otimismo dos investidores durou pouco, já que a fragilidade percebida do acordo entre Trump e Xi, somada à incerteza sobre a sustentabilidade dos cortes futuros do Fed diante de dados mistos de inflação, limitou o impacto positivo sobre os ativos de risco. Empresas como a Apple, fortemente expostas à cadeia produtiva chinesa, foram citadas como termômetro da confiança do mercado na durabilidade do entendimento.
Um padrão de tréguas temporárias
O episódio de outubro reforçou um padrão que já se repetia desde maio: acordos de curto prazo entre Estados Unidos e China que aliviam tensões pontuais sem resolver a disputa estrutural entre as duas potências. Para economias como a brasileira, fortemente dependentes tanto do mercado americano quanto do chinês, esse ciclo de tréguas frágeis exigia cautela redobrada, já que uma eventual quebra do entendimento poderia reacender, a qualquer momento, a escalada tarifária que marcara boa parte do ano.
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