CAIXA Cultural Brasília estreia mostra com 100 anos de arte brasileira

Exposição Nossos Brasis, entre o sonho e a realidade, reúne obras de Portinari, Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti até janeiro de 2026

Por Isabela Cordovil Marques· 19 de outubro de 2025· 6 min de leitura
CAIXA Cultural Brasília estreia mostra com 100 anos de arte brasileira

Foto: Daderot / Wikimedia Commons

A CAIXA Cultural Brasília recebeu, a partir de 21 de outubro de 2025, uma das exposições mais ambiciosas do calendário cultural da capital federal neste ano. Intitulada Nossos Brasis, entre o sonho e a realidade, a mostra reúne obras de nomes icônicos da arte brasileira, como Cândido Portinari, Tarsila do Amaral e Emiliano Di Cavalcanti, em um percurso que revisita cem anos de produção artística nacional. A exposição, gratuita, permanece em cartaz até 18 de janeiro de 2026, segundo informações divulgadas pela própria CAIXA Cultural e pelo portal Visite Brasília.

Com curadoria de Denise Mattar, a mostra é organizada em núcleos temáticos que dialogam com diferentes momentos da história do país, unindo pinturas, esculturas, tapeçarias, fotografias, instalações e objetos de valor histórico e simbólico. Segundo a curadora, o objetivo do projeto é convidar o público a uma viagem por diferentes representações do Brasil ao longo de um século, contrastando os ideais utópicos de nação com as tensões sociais e políticas que marcaram cada período retratado nas obras selecionadas.

De acordo com a organização, a exposição já havia circulado por outras capitais brasileiras antes de chegar a Brasília, e a etapa na capital federal ganhou destaque especial pela proximidade simbólica entre o tema da mostra e a própria história de fundação da cidade, projetada como materialização de um sonho modernista de país. Visitas guiadas conduzidas pela própria curadora Denise Mattar foram oferecidas ao público em datas específicas ao longo do mês de outubro, ampliando o engajamento e a compreensão crítica das obras expostas.

Além da mostra sobre os cem anos de arte nacional, Brasília sediou em outubro outra iniciativa cultural relevante voltada à memória local: entre os dias 6 e 28 de outubro, a sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Distrito Federal recebeu exposição gratuita dedicada a resgatar a memória da Vila Paranoá, homenageando os trabalhadores que participaram da construção de Brasília nas décadas de 1950 e 1960. A mostra, segundo o Ministério da Cultura, reuniu fotografias e depoimentos de antigos moradores da vila, hoje extinta, reforçando o papel da capital como espaço de preservação da memória operária que ergueu a cidade.

A programação cultural de outubro também contou com a sexta edição do Festival Internacional de Arte Naif (FIAN), que chegou a Brasília reunindo 96 trabalhos de artistas de 20 estados brasileiros e de 15 países, com patrocínio do Ministério da Cultura. A mostra, também sediada na CAIXA Cultural de Brasília, segue em cartaz até 7 de dezembro, ampliando a oferta de exposições simultâneas na capital federal ao longo do último trimestre de 2025.

Gestores culturais locais avaliam que a concentração de mostras de peso na CAIXA Cultural e em espaços do Iphan consolida Brasília como polo relevante de circulação de grandes exposições no eixo Centro-Oeste, favorecendo o acesso gratuito da população a acervos historicamente concentrados em museus do eixo Rio-São Paulo.

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