IPCA de outubro fecha em 0,09%, menor variação para o mês desde 1998
Queda na conta de luz puxa inflação para baixo e Boletim Focus reduz projeção anual para 4,56%

A economia brasileira registrou em outubro de 2025 um dos resultados inflacionários mais baixos das últimas décadas. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o mês com variação de 0,09%, a menor taxa registrada para o mês de outubro desde 1998. Em setembro, o índice havia marcado 0,48%, e na comparação com outubro de 2024, quando a variação foi de 0,56%, a desaceleração fica ainda mais evidente.
O principal fator por trás do resultado foi a redução na conta de luz, influenciada pela aplicação de bandeira tarifária mais favorável aos consumidores e por fatores sazonais ligados à oferta de energia. Com o dado de outubro, o IPCA acumulado em 12 meses recuou para 4,68%, ante os 5,1% registrados anteriormente, aproximando-se do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, atualmente fixada em torno de 4,5% com margem de tolerância.
O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, refletiu rapidamente a melhora no cenário de preços. Divulgado em 27 de outubro, o levantamento mostrou redução na estimativa de inflação para o fechamento de 2025, de patamares acima de 4,6% para 4,56%. Passadas poucas semanas, novas atualizações do mesmo boletim chegaram a apontar projeção ainda mais otimista, próxima de 4,45%, valor que ficaria abaixo do teto da meta perseguida pela autoridade monetária.
No mercado financeiro, o câmbio também mostrou movimento de valorização do real ao longo do mês. O dólar comercial fechou cotado a R$ 5,007, com queda de 0,68% em um único pregão, enquanto o euro comercial era negociado a R$ 5,825. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, acumulou alta de 1,44% no período, encerrando o pregão de referência aos 176.788 pontos, refletindo o apetite por ativos brasileiros em meio à perspectiva de afrouxamento futuro da política monetária.
Analistas de mercado destacam que a combinação entre inflação em queda e estabilidade cambial abre espaço para o Banco Central avaliar, nos próximos meses, o início de um ciclo de cortes na taxa Selic, mantida em patamar elevado ao longo de boa parte de 2025 como estratégia de contenção da inflação. O Boletim Focus manteve, na mesma divulgação, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,16% para o ano, sinalizando que a atividade econômica resiste mesmo em um ambiente de juros restritivos.
Para economistas consultados pela imprensa especializada, o resultado de outubro reforça a trajetória de convergência da inflação à meta, embora ainda existam riscos no horizonte, como a volatilidade dos preços de alimentos e possíveis choques externos ligados ao comércio internacional. Ainda assim, o consenso é de que o país fecha 2025 em situação mais confortável do ponto de vista inflacionário do que se previa no início do ano, o que deve pautar as discussões sobre política monetária ao longo de 2026.
Gostou desta reportagem?
Assinar grátis