Teatro Nacional recebe megaexposição gratuita dedicada ao escultor Sergio Camargo
Mostra 'É Pau, É Pedra...' ocupa o Foyer da Sala Villa-Lobos e reúne um dos maiores conjuntos de obras do artista já exibidos no país

Brasília ganhou, em dezembro de 2025, mais um destino obrigatório para os amantes das artes visuais. No dia 10, foi inaugurada no Foyer da Sala Villa-Lobos, dentro do Teatro Nacional Cláudio Santoro, a exposição 'É Pau, É Pedra...', dedicada à obra e à trajetória do escultor Sergio Camargo, um dos nomes mais relevantes da escultura brasileira do século XX. A mostra, de entrada gratuita, é promovida pelo grupo Metrópoles e reúne um dos maiores conjuntos de peças do artista já exibidos no país, segundo os organizadores.
A exposição percorre diferentes fases da produção de Camargo, com destaque para relevos em madeira e mármore, volumes geométricos e estruturas que exploram o jogo de luz e sombra — marca registrada do artista, reconhecido internacionalmente por suas composições em relevo branco que dialogam com o construtivismo e o neoconcretismo brasileiro. Segundo curadores ligados à mostra, a experiência foi pensada para ser imersiva e interativa, permitindo ao público uma aproximação sensorial pouco comum em exposições tradicionais de escultura.
A chegada da mostra ao Teatro Nacional é vista por gestores culturais da capital como um marco para o espaço, tradicionalmente mais associado a espetáculos musicais e de artes cênicas do que a exposições de artes plásticas. Segundo reportagem do portal Brasília ETC, a exposição marca um 'novo capítulo cultural' do teatro, reforçando seu papel como equipamento multifuncional dentro do calendário cultural do Distrito Federal.
A iniciativa se soma a outro grande evento expositivo que já ocorria na capital: a exposição 'Uma História da Arte Brasileira', em cartaz no CCBB Brasília desde o início de dezembro, reunindo cerca de cem obras do acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ). A mostra é uma itinerância da exposição apresentada anteriormente na Cúpula do G20, no Rio de Janeiro, e consolida o compromisso do museu carioca com a democratização do acesso à arte moderna e contemporânea em diferentes regiões do país.
Com as duas exposições funcionando simultaneamente no Eixo Monumental, dezembro se consolidou como um mês de forte movimentação no circuito cultural de Brasília, atraindo tanto moradores da capital quanto turistas que aproveitam o período de festas de fim de ano e as férias escolares para visitar a cidade. Gestores de equipamentos culturais locais relatam aumento expressivo na circulação de visitantes em relação aos meses anteriores, fenômeno atribuído tanto à gratuidade das mostras quanto à divulgação intensa nas redes sociais.
Para a curadora e pesquisadora de arte brasiliense Luiza Andrade Bezerra, a concentração de eventos de grande porte na capital em dezembro reflete um esforço deliberado de instituições culturais em ocupar o calendário de fim de ano, tradicionalmente mais voltado a atividades comerciais e religiosas. 'Ter Sergio Camargo e um recorte relevante da história da arte brasileira expostos simultaneamente e gratuitamente é uma oportunidade rara para o público do DF, que muitas vezes precisa viajar para acessar acervos dessa magnitude', avaliou.
Ambas as exposições devem permanecer em cartaz até os primeiros meses de 2026, com entrada franca e programação educativa voltada a escolas da rede pública do Distrito Federal.
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