GDF arrecada R$ 42,8 bilhões em 2025, mas fecha o ano com déficit nas contas

Secretaria de Economia do DF divulga balanço de dezembro e admite descompasso entre receita e despesa

Por Camila Ribeiro Feitosa· 05 de dezembro de 2025· 5 min de leitura
GDF arrecada R$ 42,8 bilhões em 2025, mas fecha o ano com déficit nas contas

Foto: Agência Brasília / Wikimedia Commons

Valor investido na política pública
R$ 42.800.000.000

A Secretaria de Estado de Economia do Distrito Federal (Seec-DF) divulgou, em dezembro de 2025, o balanço financeiro consolidado do ano, revelando arrecadação de R$ 42,8 bilhões em tributos — o maior valor da série histórica do governo local. Apesar do recorde nominal, as contas do GDF fecharam o exercício em déficit, segundo o próprio relatório da pasta, comandada pelo secretário Daniel Izaias de Carvalho.

O documento, intitulado 'Arrecadação Tributária do Distrito Federal — Dezembro/2025', detalha a evolução mês a mês da receita ao longo do ano e aponta para uma desaceleração no ritmo de crescimento nos últimos meses, período em que o governo do DF passou a adotar discurso mais enfático sobre a existência de uma crise fiscal. O governador Ibaneis Rocha (MDB) citou publicamente a dificuldade de equilibrar receitas e despesas como justificativa para contenção de gastos em áreas como investimentos e contratações.

No entanto, essa leitura foi contestada pela Associação dos Auditores Fiscais do Distrito Federal (Aafit), que apresentou dados próprios indicando que a receita tributária do DF somou R$ 24,14 bilhões entre janeiro e novembro de 2025 — uma alta real de 1,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para a entidade, a queda de arrecadação não explica, isoladamente, o desequilíbrio das contas públicas locais, e o problema estaria mais associado ao crescimento das despesas correntes, sobretudo com pessoal e encargos previdenciários.

Em nota técnica divulgada no fim de dezembro, a própria Seec-DF destacou que 2025 foi marcado por avanços na modernização tecnológica da arrecadação, com reforço da fiscalização tributária e ganhos de eficiência no combate à sonegação. A pasta também citou a criação de uma política de saúde mental voltada a servidores públicos como um dos destaques da gestão econômica do ano, ao lado de medidas de valorização salarial para categorias estratégicas.

Para economistas locais, o cenário do DF em dezembro reflete um padrão observado em outros entes federativos: aumento nominal da arrecadação impulsionado pela inflação e pelo crescimento do consumo, mas pressão crescente do lado da despesa, especialmente com folha de pagamento, que consome parcela expressiva do orçamento distrital. A economista Patrícia Melo Andrade, consultora que acompanha as finanças do governo local, avalia que o desafio para 2026 será conciliar a manutenção de investimentos em infraestrutura — como obras viárias e expansão do metrô — com o compromisso de equilíbrio fiscal exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O impacto do déficit já é sentido em setores que dependem de repasses do GDF, como associações de pequenas e médias empresas do Entorno e prestadores de serviços contratados pelo governo distrital, que relatam atrasos pontuais em pagamentos. A expectativa do mercado é que o Executivo distrital apresente, ainda no início de 2026, um pacote de ajuste fiscal que deve incluir revisão de incentivos tributários concedidos a setores específicos da economia local, medida que já provoca reações de entidades empresariais de Brasília.

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