Vacina 100% nacional contra a dengue começa a chegar ao SUS com investimento de R$ 368 milhões

Butantan entrega primeiras doses ao Ministério da Saúde; imunização deve começar oficialmente no fim de janeiro de 2026

Por Marcos Vinícius Tavares Correia· 10 de dezembro de 2025· 5 min de leitura
Vacina 100% nacional contra a dengue começa a chegar ao SUS com investimento de R$ 368 milhões

Foto: RDNE Stock project / Pexels

Valor investido na política pública
R$ 368.000.000

O Ministério da Saúde anunciou, em dezembro de 2025, a chegada ao Sistema Único de Saúde (SUS) das primeiras doses da vacina Butantan-DV, imunizante 100% nacional contra a dengue desenvolvido pelo Instituto Butantan. O contrato assinado entre o governo federal e o instituto paulista garante a compra inicial de 3,9 milhões de doses, com investimento de R$ 368 milhões, valor que deve ampliar significativamente a capacidade de resposta do país diante da doença, que voltou a preocupar autoridades sanitárias em razão do aumento de casos registrados em anos recentes em diversas regiões, incluindo o Distrito Federal e o Entorno.

Segundo nota oficial da pasta, a Butantan-DV é a primeira vacina do mundo contra a dengue aplicada em dose única, uma vantagem logística importante para campanhas de imunização em massa, sobretudo em regiões com dificuldade de acesso a serviços de saúde para aplicação de reforços. As primeiras doses foram formalmente entregues ao Ministério da Saúde no fim de dezembro, em cerimônia que contou com a presença de representantes do Instituto Butantan e da equipe técnica da pasta federal.

Em entrevista concedida ao programa Jornal da CBN, em 26 de dezembro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a vacinação deve começar efetivamente no SUS no fim de janeiro de 2026, com aproximadamente 300 mil doses já em estoque no momento da entrevista. Segundo o ministro, o Butantan projeta entregar até 1 milhão de doses adicionais até o final do mês seguinte, o que permitiria dar início a uma campanha mais ampla logo no início do próximo ano.

A estratégia de imunização definida pelo Ministério da Saúde estabelece prioridades claras: a campanha começará pelos trabalhadores da Atenção Primária à Saúde, categoria considerada de maior exposição ao vírus por conta do contato direto com pacientes sintomáticos, e por adultos a partir de 59 anos, grupo mais vulnerável a complicações graves da doença. Segundo o cronograma anunciado, a cobertura deve ser progressivamente ampliada para faixas etárias mais jovens ao longo de 2026, conforme a disponibilidade de doses.

Em Brasília, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) já sinalizou que aguarda orientações do Ministério da Saúde para organizar a logística local de distribuição, considerando a histórica sazonalidade dos casos de dengue na capital, que costuma registrar picos de infecção entre os meses de fevereiro e maio, coincidindo com o período chuvoso. Nos últimos anos, o DF enfrentou surtos significativos da doença, com sobrecarga em unidades de pronto atendimento (UPAs) e hospitais regionais.

Especialistas em saúde pública destacam que a chegada de uma vacina nacional representa um marco tecnológico e sanitário para o país, reduzindo a dependência de imunizantes importados e fortalecendo a autonomia produtiva do SUS. A infectologista brasiliense Renata Cavalcante Duarte avalia que a combinação entre vacinação e as medidas tradicionais de controle do mosquito Aedes aegypti — como eliminação de criadouros e fiscalização de imóveis — será essencial para reduzir a incidência da doença nos próximos ciclos epidemiológicos, especialmente em áreas urbanas densamente povoadas do DF e do Entorno.

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